Campinas não vale um poema

campinas, meu amor
seus viadutos de nada
bares em cada vão
céu de salmão, estrelas
onde agoniza um cão
seus braços de gente
seus dentes
dutos e vias nuas
rua e putas,
tu mentes
vitrines e flores,
escadas e corredores
tudo em você respira
campinas, tua epiderme
quero morrê-la cem vezes
de asco, paixão, tiroteio
rubros algarismos do mirante
me dizem quinze pras tanto
o tráfego lambe as almas
pelo viaduto cury
o cheiro de peixe no mercado de peixe
o cheiro de flores no mercado de flores
o cheiro de podre no mercado da vida
quem nunca expirementou
caminhar em um domingo
pelas ruas encardidas
quando tudo ja foi, campinas,
não perdeu nada de bom
senão uma certa tristeza
que as andorinhas fantasmas de seus becos
sussuraram certa vez nos meus ouvidos
e que nunca mais deixou de ser canção
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Tags:poesia





acho esse poema extremamente válido para campinas.
embora seja bonito, mas também, não podemos tirar de todo a beleza torta que existe nessa cidade.
vou cobrar direitos autorais do título. hahaha